Brasil quer acordos bilaterais mais amplos

Após acertar com Peru e Colômbia os termos de acordos bilaterais que vão além de redução de tarifas de importação no comércio, o Brasil se prepara para discutir a inclusão de temas que antes eram vistos como um tabu em negociações comerciais, como compras governamentais, serviços e proteção de investimentos, nas conversas que começará a ter com o México, o Canadá e a própria União Europeia (UE), a partir de 2016. Essa guinada na política externa para salvar a economia doméstica foi anunciada em meados do ano passado pelo governo, mas somente agora ganha corpo.

— Temos como desafio a expansão temática dos acordos ainda em 2016. São acordos de nova geração, aqueles que contemplam outras áreas — disse ao GLOBO o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro.

Ele citou como exemplos de serviços as áreas jurídica, financeira, de arquitetura, engenharia e tecnologia da informação. Segundo o ministro, o mundo inteiro está expandindo esses acordos. Monteiro destacou que os novos temas são uma forma de o Brasil se aproximar de outros parceiros internacionais, com o aumento de comércio e investimentos, sem precisar ferir a regra do Mercosul que impede os sócios de negociarem acesso a mercados em separado.

— Quando falamos sobre Mercosul, não temos liberdade de negociar sozinhos reduções de tarifas. Precisamos ir junto com o bloco. Mas em outros segmentos não ficamos dependentes da anuência dos sócios — explicou o ministro.